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O INQUILINO (2008)

Nota 3,0 Com duas tramas paralelas, longa perde fio da meada e é desenvolvido de forma enfadonha

Tentando construir um suspense intrigante que segurasse a atenção do espectador até o fim, David Ontaatje acabou se enrolando até o pescoço. Produtor, roteirista e diretor de O Inquilino, ele ousou ao ter a ideia de refilmar o primeiro thriller assinado pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock, um de seus primeiros trabalhos ainda dos tempos do cinema mudo. Com várias linhas narrativas a serem trabalhadas usando apenas imagens para construir um enredo conciso, esse trabalho não é um dos mais lembrados na filmografia do famoso cineasta, todavia, tem o seu valor, principalmente pela época que representa dentro da História da sétima arte. Ondaatje procurou reimaginar o mesmo enredo adicionando diálogos e reunindo todos os clichês possíveis dos filmes de suspense policial. A premissa é até interessante, mas na intenção de jogar pistas falsas para o espectador brincar de detetive, p diretor acabou se atrapalhando e deixou diversas pontas a serem aparadas. A trama gira em torno de um assassino que está assombrando as ruas de West Hollywood vitimando as prostitutas da região. Coincidentemente seus atos lembram muito o estilo dos crimes cometidos em meados do século 19 pelo lendário Jack, o Estripador. O agente Chandler Manning (Alfred Molina) está em seu encalço, mas precisa lidar com o fato de que provavelmente capturou e condenou à morte um inocente sete anos antes, um homem que estava sendo investigado por duas mortes que guardam características semelhantes com a onda atual de assassinatos, o que indica que o verdadeiro criminoso está de volta. Quanto mais o detetive se envolve com as novas investigações mais as coisas ficam enroladas para o seu lado, inclusive passando a ser apontado também como um provável suspeito. Paralelamente a esses eventos, Helen Bunting (Hope Davis) aluga o quarto dos fundos de sua casa para Malcolm (Simon Baker), um misterioso escritor que chega à cidade na mesma época em que a onda de assassinatos é retomada.

A ideia de ligar os assassinatos em série contemporâneos aos crimes cometidos no passado pelo famoso estripador é uma boa sacada, mas por que só agora essa ficha caiu na cabeça do agente policial? Sete anos antes tais evidências já poderiam ter sido utilizadas nas investigações e assim quem sabe salvar um inocente. Sabendo que cometeu um erro, Manning já vinha pesquisando o lendário Jack poucos meses antes da nova onda de crimes o atormentar, porém, sua fixação acaba o colocando como um suspeito potencial. Quanto mais ele investiga o caso, mais provas ele próprio produz contra si mesmo. Paralelamente a essa entediante investigação, acompanhamos a história do tal inquilino do título, um braço do roteiro um pouquinho só mais interessante. O casal Bunting, vivido por Hope Davis e Donal Logue, ganha uma renda extra alugando um quarto em uma casa anexada ao jardim da casa onde vivem. Desta vez a mulher fecha o acordo com um rapaz misterioso sem pedir a opinião do marido, este que aos poucos desconfia que o novo residente não existe, é apenas uma invenção da mente da esposa. Revelar mais sobre o enredo é estragar a experiência de acompanhar este suspense, embora seja uma fita que desperdiça um excelente argumento. Talvez em uma primeira exibição não fique muito clara as resoluções, valendo uma segunda sessão para prestar mais atenção a certos detalhes. Todavia, assista quantas vezes julgar necessário, provável que jamais a satisfação seja plena. Ao subirem os créditos finais ficamos com a estranha sensação de que achamos O Inquilino uma opção razoável, mas ainda temos a consciência de que muitas peças não se encaixam no final da história. Até mesmo o misterioso Malcolm parece uma peça estranha no conjunto, mas alguém dúvida que a última cena é toda dele? Seria um truque para deixar o espectador com uma interrogação após um falso final ou realmente a inserção de tal sequencia é só para justificar o título? Para matar o tempo em um sábado a noite tedioso é uma opção, afinal é um filme bem ao estilo "Super Cine", entretém momentaneamente, mas logo é esquecido.

Suspense - 95 min - 2008 

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